Volta, Jorge

Posted on 04/01/2014

1


cats

Você abandou tudo, até o Ted. Eu, tanto faz, tanto fez, mas o Ted foi foda. Quem abandona um cãozinho tão bonitinho? Que se foda, me importo. Que se foda o Ted. Que se foda você. Tu sabe que sim. Tu sabe que te amo. Porque você me deixou aqui nessa sampa tão sampa? Te dei meu cu, Jorge. Meu cu. Você tirou o cabaço de todos os meus buracos possíveis – dei alma, comida, roupa lavada, amor, boquete: na minha cidade, nenhuma mulher dá cu e faz boquete. Você me ensinou, gozou no meu olho, na garganta, entalou de prazer. Quero mais, quero você. Começou, agora termina, seu desgraçado. Te amo te amo te amo te quero. To escrevendo, escrevendo, salivando e escrevendo, toda molhada por você. Volta, vai. Para de putaria, come outras bocetas, mas volta pra mim. Tô aberta. Arreganhada. Esperando seu pau. Sua fúria. Seus socos. Tu sabe que sou a única que faz o que você quer. A única. E aquele dia? Tão lindo. O dia que você pegou a tesoura enferrujada e rasgou minha boca. Até hoje lembro. Claro né, dããã… Até hoje não posso falar por causa disso. Foi lindo, Jorginho. Você enfiando a tesoura na bochecha esquerda, eu sentindo o gosto de ferro e o impacto da tesoura nos dentes. E você, lentamente, foi puxando a tesoura, até detonar minha boca. Da esquerda até a direita. Tudo rasgado. Depois você cortou minha língua e a guardou em um vaso de vidro. Todos os dias você gozava dentro do vaso. Todo santo dia. E enquanto você fazia isso, eu enfiava a tesoura enferrujada no meu cu sujo. Depois você lambia tudinho. Gota por gota. Lembra? Sangue e bosta na sua boca torta, preenchida de barba branca, cinza, velha, imunda? E depois, lembra? Eu chupava minha língua gozada, socava na boceta e depois a deslizava no meu grelo, até gozar do jeitinho que tu curtia, seu puto degradado. Você é meu dono, Jorge. Vem me fuder, acabar com minha vida, destruir o que resta. Hoje não tenho mais nada. Só a cadeira de rodas, um mamilo, meio olho e três dedos que uso pra digitar essa maldita carta. Amor, ah o amor, este eu tenho completinho, sem faltar nenhum pedaço – Todo seu. Volta.

Anúncios
Posted in: Contos